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Thursday, July 26, 2007

para todos

eu sou um monstro, uma aberração
divido meu sentimento entre o que passado me persegue
e um futuro triste que me espera
os anos condensam-me em metal pesado
fazem de mim um absurdo
um quadro de Dali surrealista
uma pista vazia, sem trafego
um naufrago cercado de nada
não amo... sou seco
não consigo amar a beleza que me cerca
mesmo quando pede por ser amada
e assim me implora...
passei a ver o rio como uma possibilidade de morte
não quero que me sigam ou me entendam, apenas me ouçam
suportei seu choro vazio
sua lagrima infantil e ingênua
supertei suas crises supérfluas
e menti sobre meu desejo
nunca quis nada alem do que me davam
sempre me convenci da estupidez das pessoas
conheço a alma podre dos homens
sei o que podem fazer por mim
meu odio renasce mais forte
onde vou percebendo as intençoes finais de seus atos
são todos e todas demasiados humanos, ja dizia o filosofo
tenho pena de mim
deste meu odio que cresce e cresce
e me consome
não suporto superficialidade
não suporto a comparação, nem a metáfora tola
pois danem-se todos e todas
volto a amar a mim acima de todas as coisas
mulheres e homens vazios
estamos no mesmo barco
estamos no mesmo titanic
afundemos com dignidade

Monday, May 14, 2007


Thursday, May 10, 2007

Elas

elas eram duas deusas que eu encontrei por acaso
uma tinha olhos de princesa a outra um sorrizo de fada
alheias ao mundo dos homens
mundo masculino e decadente
femininas que são, tão belas
unidas em um beijo quente
sorrindo ela me mostra os dentes
felina, seus olhos encantam
abraçadas elas são sereias
unindo seios que se amam
sopra a furia de novos tempos
os dias vam se reformulando
e no presente lutam contra o vento
e alguns preconceitos humanos
elas eram duas deusas
que, por sorte, encontrei por acaso
me encantei pelos olhos de princeza
me perdi no sorrizo de fada

letras; hermetico

é força e furia o som da minha viola
que leva aos quatro cantos do mundo
o grito que carrego no peito
anda calado, mas nao mudo
conservo os sohos de menino
me reservo a amar a distancia
minha rede uma vaga lembrança
que teimoso ainda trago comigo
na palidez das almas da cidade
cada olhar frio e desumano
toda estupidez bem comportada
endurecida pelos anos
meu coração anda torto
anda amando ja qualquer desejo
anda desesperando de medo
anda mergulhado em solidão
esperando saciar o meu corpo
anda tateando entre os olhares
e navega perdido nos mares
mas naufraga em tanta solidão
ainda junto esperança e vontade
ainda falo de mim sem saber
ainda sonho, ainda sinto saudade
ainda penso gostar de viver
salto de ponto a outro e o futuro
é o vazio tão cheio de si
dia a dia levanto esse muro
e me isolo pra dentro mim

Wednesday, May 09, 2007

letras: A Dança das Palavras

escondido nas barras da saia de qualquer mulher
eu sou um universo de magoa
que desagua num porto qualquer
como o tal poeta vagabundo
danço no viaduto
com um verso na mão me oriento
enquanto enfrento o mundo

eu sempre me coloquei no peso das palavras
eu não digo tudo que penso pois eu tambem penso errado
a solidão me apavora como um campo minado
a maldição do poeta é ser demasiado coração


minhas verdades tão frageis por fim são só vaidade
divido minha alma entre a esperança e a saudade
e meu desespero é topar de frente com a realidade
mas meu aconchego são os braços sinceros da eternidade

eu nunca jurei, me confessei, ou fui amado
o peso dos dias carrego nos ombros cansados
tentando domar o prazer nas redeas da vontade
eu ando comprando ilusão maqueando a realidade
mas agorão não

Wednesday, April 11, 2007

os filhos da puta

enquanto os filhos de Deus caminham errados pela lapela da ilusão
nós os filhos da puta levamos algemas nas mãos
enquanto os filhos de Alá se deleitam no gozo das festa e pompas
nós os filhos da puta carregamos as bombas
enquanto os filho Zeus se dizem semideuses
nós o filhos da puta somos só filhos da puta

Tuesday, April 10, 2007

Lá vem o homem

São cavalos de chuva...
são homens de asas
ou são filhos da puta,
ou de donas de casa

são compadecidos de orgulho
são tão parecidos com estrume
são homens quando erguem os punhos
ou quando mantem seus costumes?

são cavalos de estrume
são homens de costumes
ou são filhos do orgulho
ou de Donas de punho

são compadecidos de chuva
são tão parecidos com putas
são homens quando erguem as asas
ou quando mantem suas casas?

os olhos, iris de jabuticaba (um poema para helem)

temos olhos de aguia e pernas de pau
camuflando nosso medo num verbo afiado
talvez entendamos de sonhos, de versos,
de iris de jabuticaba
mas muito pouco entendemos daquela parte
que diante o espelho, num sorriso sarcástico,
ironiza a verdade:
que a força aparente... é só medo cansado
que a força que temos, não temos de fato
e choramos sozinhos
e amamos sozinhos, perdendo o compasso
e fazemos da vida um eterno naufrágio
titanics, batomuchs, canoas furadas
sonhamos Dali
vivemos Rembrandt
dormimos, em fim, no raiar da manhã

Saturday, January 13, 2007

o monte, o corte, a morte

Atento para as transformações de meu próprio mundo
Sigo caminho adentro, mata adentro, solidão adentro
Passo a passo , lento passo, pisando em ovos, em desalento
Feito palha em firme oposição ao curso do vento
Dia após dia, passo a tarde cinza a construir um muro
Que me afaste cada vez mais de tudo
E me isole hermeticamente
E talvez passe a ser, um dia, algo mais do que eu mesmo
Ilusão fragil que teimoso alimento
sigo enclausurado
na prisão sem grades chamada:
eu mesmo