para todos
divido meu sentimento entre o que passado me persegue
e um futuro triste que me espera
os anos condensam-me em metal pesado
fazem de mim um absurdo
um quadro de Dali surrealista
uma pista vazia, sem trafego
um naufrago cercado de nada
não amo... sou seco
não consigo amar a beleza que me cerca
mesmo quando pede por ser amada
e assim me implora...
passei a ver o rio como uma possibilidade de morte
não quero que me sigam ou me entendam, apenas me ouçam
suportei seu choro vazio
sua lagrima infantil e ingênua
supertei suas crises supérfluas
e menti sobre meu desejo
nunca quis nada alem do que me davam
sempre me convenci da estupidez das pessoas
conheço a alma podre dos homens
sei o que podem fazer por mim
meu odio renasce mais forte
onde vou percebendo as intençoes finais de seus atos
são todos e todas demasiados humanos, ja dizia o filosofo
tenho pena de mim
deste meu odio que cresce e cresce
e me consome
não suporto superficialidade
não suporto a comparação, nem a metáfora tola
pois danem-se todos e todas
volto a amar a mim acima de todas as coisas
mulheres e homens vazios
estamos no mesmo barco
estamos no mesmo titanic
afundemos com dignidade


