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Friday, October 27, 2006

Marta a Genesis...

As cartas que Marta escreveu não as endereçou a ninguém
um brado, um grito no escuro, um murro no muro da história.
letra após letra pichando seu entendimento da alma
as cartas que Marta escreveu não as endereçou a ninguém...
visitou universos distantes pela vidraça da sala
com o peito carregado viu-se no escuro do quarto
quando percebeu ser humano o menos humano dos seres
a fé que um dia gozava se regozijava iludida
se considerando usada pelas palavras não ditas
se considerando escrava deste silencio que grita
seu grito introspectivo sai como um sussurro, um gemido.
mas Marta não chora, entristece
Marta não fala, declama
Marta não agrada, enlouquece.
boqueja um brado escarrado, enojada por fazer parte
deste bando de seres que passeiam errados
se julgando superiores


as cartas que Marta escreveu não as endereçou a ninguém

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