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Monday, October 30, 2006

A Despedida...

Hoje é um dia comum para tantos por este vasto mundo.
Cada janela uma história.
Um universo abriga bilhões de universos,
que nunca se cruzam, nunca se beijam.
Estou preso a meus preconceitos ainda....
liberdade é palavra imprecisa e delicada
as portas do mundo estão fechadas,
mas não para mim, para todos.
Um dia, mais um dia, e logo será noite
A morte se apresenta tão palpavel
que passo a pensar nela de forma amigavel.
morrer é preciso; impreciso é viver...
um intervalo de dor entre dois apagões
um antes de nascer, outro depois de morrer
como o ser vazio que habita este ser
navega por mares, por tempestades
e não encontra ninguém, além talvez do espelho
que é tão feio que já não quer ver.
a imagem no espelho é você
por que não se reconhece? Desmerece este ser,
o ser quer habita você.
hoje é só mais um dia a contar da terra
e a terra é este ser cheio de vida,
que independe da sua, persiste em viver
um guarda chuva a tira-colo, eis que me surge um poema
mas sinto poesia nas coisas, não nos seres.
seres são demasiados pequenos
como o seu vizinho que insiste, no fim da tarde
sentado na calçada, falar sobre você
como se pudesse, se lhe compreendesse
condena sua postura.
e se esquece de olhar para dentro do própio muro
muro que esconde o quanto é bizarro
mas me retiro para além do homem
onde encontro meu repouso
no que há de profundo na existência
e me despeço deste mundo
sem ter sido este ser moribundo que habita o meu ser.
beijos para os que permanecem vivos
talvez devam redefinir o que chamam de vida
o carro ilustrado,
um novo sapato,
outro namorado,
é isto que chama viver?

Sunday, October 29, 2006

Passeio de Domingo

O homem de palitó verde
esconde um segredo
que não o revela ao mundo
nem sobre decreto
um cidadão de bigode
solfeja um bolero
os novos pintores da história
ilustram o concreto
a sapatilha da menina
lhe denuncia bailarina
os seios perfeitos da moça
sentada na segunda fila
a cobradora e o motorista
numa relação só de vista

Friday, October 27, 2006

Marta a Genesis...

As cartas que Marta escreveu não as endereçou a ninguém
um brado, um grito no escuro, um murro no muro da história.
letra após letra pichando seu entendimento da alma
as cartas que Marta escreveu não as endereçou a ninguém...
visitou universos distantes pela vidraça da sala
com o peito carregado viu-se no escuro do quarto
quando percebeu ser humano o menos humano dos seres
a fé que um dia gozava se regozijava iludida
se considerando usada pelas palavras não ditas
se considerando escrava deste silencio que grita
seu grito introspectivo sai como um sussurro, um gemido.
mas Marta não chora, entristece
Marta não fala, declama
Marta não agrada, enlouquece.
boqueja um brado escarrado, enojada por fazer parte
deste bando de seres que passeiam errados
se julgando superiores


as cartas que Marta escreveu não as endereçou a ninguém

Monday, October 23, 2006

As cartas que Marta escreveu


Pois fora você que de lapis na mão preferiu o silêncio
Agora me ilude cantando versos que alguém escreveu
chega assim diferente, cheirando aguardente, suor e cigarro
procura meu corpo, no meio da noite, exigindo um afago.

Pois fora você que sorriu com desdém da minha saudade
quando se deitou, se deliciou das camas da cidade
agora quer colo, quer sentir o cheiro desta pobre moça
cale teu violáo. Não lhe dou meu perdão. Ainda tenho forças
pois o não que invergo, como minha bandeira, como um fardo pesado
por dizer mais que não: digo-lhe não, por favor e obrigado

Thursday, October 19, 2006

Das Poesias de Adeus

um ser se alimenta de minha essência
insaciável , troveja um novo tormento
ah, este maldito ser que de mim se alimenta!
um passo sombrio em direção de mim mesmo
eis-me aqui, um descompasso no tempo
vítima do acaso no descaso, refém de meu comportamento
um humano sem par, ímpar e correndo
correndo da vida... infinita e falsa
dá-te um beijo de estalo, lhe afaga o peito
depois num pigarro com asas de morcego
foge pro mesmo nada de onde veio
Um poço de cólera, eis que me apresento
um fogo perpétuo, eis que me queima o peito
ser humano incompleto, um completo imperfeito
sempre correndo...
correndo da estrada ou correndo para ela
mais um dia triste, onde vendo às escuras
as sombras gigantes de meus próprios medos

Sunday, October 15, 2006

Saturday, October 14, 2006

À Apologia de Sócrates
( versos que nunca entendi)

seus olhos, naquele tempo, me lembravam jabuticabas
esperou que eu viesse andando, jamais imaginou minhas asas
posto que nunca enfrentei com o peito a força das aguas
a maré lançou-me mundo profundo que desagua em nada.

um piscar, um lapejo, o veneno se faz mais forte
corta, amordaça a couraça pálida da alma
sabemos no que da isto tudo e seguimos a caminhada
uma seta nos aponta o tudo. O Tudo também não é nada


fernanda, juliana, florence, joana, ana paula
todas amando o inverso da superfície da palma
o benefício de ver: é que o que ele não vê não é nada

david dos anjos marat

Tuesday, October 03, 2006

Pessoa e suas outras pessoas ...

hoje acordei de um transe. O cara de chapéu pardo que me seguia se foi por ai.
sabe aquela esperança de um mundo melhor, de um futuro? Em qual destes dias a perdi?
sei que ando errado, mas sou, além do todo, também resultado.
um cão que saliva ofegante sobre o prato...
que desapontamento com as pessoas... elas são como os cães....
mendigando atenção, mendigando afeto, um afago.
você nunca soube o que eu queria
eu nunca soube o que buscava
o eterno retorno do erro
uma postura eterna e errada.
o muro que edificamos nos isola de nós mesmos
sua argamassa: a vaidade, seus tijolos: o medo
cada ser humano ( um clichê) é uma ilha
sim, (outro clichê) formamos um grande arquipélago
cada vez que falar
quero provocar em você seus medos
fazer do homem uma ponte
superar este EU obeso
que insiste em se instalar pesado
na superfície pesada dos seres

david dos anjos marat